O tabuleiro político do Rio Grande do Norte sofreu uma mudança decisiva. O vice-governador Walter Alves (MDB) decidiu renunciar ao cargo, abrindo mão de assumir o comando do Estado em caso de saída da governadora Fátima Bezerra. O movimento, confirmado por aliados e pela apuração local, tem um objetivo pragmático: Walter vai descer para disputar uma cadeira de Deputado Estadual em 2026.
Essa decisão cria um cenário constitucional raro, conhecido como “vacância dupla“. Entenda o que muda no comando do estado:
1. O Fim da Sucessão Natural
Pela regra padrão, quando um governador renuncia para disputar outro cargo (como o Senado, plano provável de Fátima Bezerra), o vice assume automaticamente. Com a renúncia antecipada de Walter Alves, essa linha sucessória se rompe.
2. Eleição Indireta
Se os cargos de Governador e Vice ficarem vagos nos dois últimos anos do mandato, a Constituição determina que não haja nova eleição popular (nas urnas, com a população). A escolha do novo governador será indireta. Caberá aos 24 deputados estaduais da Assembleia Legislativa (ALRN) votar e escolher quem governará o Rio Grande do Norte até o fim de 2026.
3. Quem assume no intervalo?
Enquanto a eleição indireta não acontece, a linha sucessória segue para as chefias dos outros poderes. O governo interino ficaria a cargo do presidente da Assembleia Legislativa (atualmente o deputado Ezequiel Ferreira) ou, na ausência deste, do presidente do Tribunal de Justiça (desembargador Ibanez Monteiro).
A Estratégia do MDB
A renúncia de Walter não é um recuo, mas um reposicionamento. A Executiva Nacional do MDB prorrogou o mandato de Walter na presidência estadual com uma missão clara: musculatura. O partido precisa eleger uma bancada forte de deputados estaduais e federais. Walter entra na disputa da Assembleia para ser o “puxador de votos” e garantir a relevância da legenda no legislativo.
“Céu Nebuloso”
A incerteza sobre quem será o “governador tampão” gera apreensão nos bastidores. O deputado estadual Dr. Bernardo resumiu o clima com uma metáfora: “O céu não está nebuloso para chuva, mas está muito nebuloso para a política. Não dá para saber o que vai ocorrer daqui até abril”.
A oficialização da renúncia de Walter Alves é esperada para a próxima semana.


