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O ato simbólico de Nikolas que revela o sepultamento da maior arma da Direita

Não é segredo para ninguém que a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, teve início nas manifestações de junho de 2013, cinco anos antes. Aquela revolta que se espalhou por todo o Brasil contra o aumento das passagens de ônibus era apenas um sintoma de que a população brasileira estava exausta da corrupção estrutural, somada aos péssimos serviços oferecidos pelo Estado e aos altos impostos exigidos pelo mesmo.

Veio então a Copa do Mundo no Brasil e as eleições de 2014. O PT seguia para o seu quarto mandato presidencial consecutivo, apesar de toda a insatisfação popular. Foi aí que o então deputado federal “do baixo clero”, como ele mesmo costumava dizer, vestiu a roupa do candidato perfeito e atraiu o olhar de uma parte significativa daquele eleitorado que esteve nas ruas em 2013.

Foram quatro anos preparando o caminho que culminou em sua vitória nas urnas na eleição seguinte. Mas muitas coisas aconteceram nesse espaço de tempo: a deflagração da Operação Lava Jato, o impeachment da presidente Dilma, a prisão do ex-presidente (e agora atual) Lula e a facada sofrida por Bolsonaro. Foi uma sucessão de acontecimentos que elegeu o maior representante da direita brasileira.

Mas havia algo sólido e constante que sempre esteve presente a partir de 2013 e que serviu de base para todo esse cenário de virada política: as manifestações de rua. As grandes aglomerações “verde e amarelo” viraram um espetáculo da direita brasileira. Pessoas comuns e “apartidárias” passaram a participar ativamente dos movimentos de rua, atraídas por qualquer novo acontecimento vindo de Brasília. Aos poucos, o movimento foi tomando forma e passou a ser apelidado de “bolsonarismo” pela grande imprensa.

A esquerda, acuada, entendeu que a força das ruas era o combustível da direita, além, é claro, das redes sociais. Então, ela começou a mexer os pauzinhos. A ideia era abolir de vez essa cultura de manifestações. Não é à toa que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) caiu com força sobre as motociatas e o 7 de Setembro nas eleições de 2022, que foram as mais acirradas de todos os tempos: Bolsonaro versus Lula, o maior líder da direita contra o maior líder da esquerda.

Mesmo com Lula sendo declarado eleito, a esquerda queria sepultar de vez os movimentos de rua, pois o eleitorado de Bolsonaro estava ainda maior do que na eleição anterior (pasmem!). Qual foi a oportunidade? 8 de janeiro. O circo estava pronto, o roteiro muito bem construído e a narrativa posta à mesa: o que era manifestação pacífica transformou-se em tentativa de golpe de Estado, ou, como a imprensa gosta de chamar, “atos antidemocráticos”. Milhares de manifestantes foram presos, e o culpado-mor eleito pelo STF? Jair Messias Bolsonaro (isso é assunto para o próximo artigo).

Mas por que estamos falando disso agora? O deputado federal Nikolas Ferreira acaba de oficializar um ato simbólico para se manifestar contra toda a impunidade que está acontecendo no Brasil. Ele irá de Minas Gerais até Brasília, a pé, como um “ato simbólico” em clamor por justiça. Não há mais manifestações de rua, “fora” isso ou “fora”aquilo. A direita está acuada, amedrontada e confinada entre quatro paredes, e precisa se reinventar para as eleições que se aproximam. A atitude do jovem deputado é um sinal de que as coisas devem ser bem diferentes a partir de agora e deixa claro que não é o fim, mas um recomeço.

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