O atraso no pagamento do 13º salário de 2025 para aposentados e pensionistas do Rio Grande do Norte não é um problema técnico pontual. É um sinal claro de desorganização administrativa e de quebra de confiança por parte do Governo do Rio Grande do Norte, que anunciou um calendário e simplesmente não o cumpriu.
Ao garantir publicamente que ativos, aposentados e pensionistas receberiam a gratificação na sexta-feira (9), o governo assumiu um compromisso objetivo. Quando parte significativa desses beneficiários ficou sem o crédito, o erro deixou de ser contábil e passou a ser político. O dano maior não está apenas no atraso, mas na ausência de explicações claras e no silêncio inicial diante das reclamações.
A reação veio das entidades sindicais, que fizeram o que o governo não fez: deram voz aos atingidos. O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta do Estado relatou que aposentados e pensionistas sequer receberam um prazo de regularização. Já o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte classificou o episódio como desrespeito com servidores que dedicaram décadas ao serviço público. Não se trata de retórica sindical exagerada. Trata-se de gente que depende desse recurso para despesas básicas.
O fato de a folha estar pronta e “aguardando autorização”, como admitido por interlocutores do próprio governo, agrava o quadro. Se o dinheiro não foi liberado, a pergunta inevitável é simples: por quê? Falha de planejamento? Prioridades equivocadas? Problema de caixa? Nenhuma dessas hipóteses foi enfrentada com transparência.
Somente após a pressão pública e a convocação de um protesto com adesão de nove sindicatos, o governo decidiu se manifestar. A nota oficial, no entanto, soa mais como tentativa de contenção de danos do que como esclarecimento. Ao destacar que pagou ativos e aposentados da segurança pública, o Executivo evita o ponto central da crítica: o compromisso anunciado não foi cumprido integralmente.
Prometer pagar “na próxima segunda-feira” não apaga o erro. Apenas o posterga. Mais grave ainda é a tentativa de normalizar o atraso como algo aceitável, ignorando o impacto concreto sobre aposentados e pensionistas, um dos grupos mais vulneráveis do funcionalismo.
O discurso de responsabilidade fiscal perde força quando direitos básicos são tratados como variáveis ajustáveis. Equilíbrio financeiro não pode servir de argumento para justificar improviso, silêncio institucional ou quebra de palavra. Governar também é comunicar, explicar e assumir falhas, algo que o Executivo estadual evitou fazer até agora.
O episódio do 13º salário não é isolado. Ele se soma a uma sequência de ruídos administrativos que corroem a credibilidade do governo junto ao funcionalismo. Quando anúncios oficiais deixam de ser confiáveis, o custo político se amplia e a relação com servidores entra em desgaste permanente.
O protesto marcado para a próxima segunda-feira (12) não cobra apenas um pagamento. Cobra respeito, previsibilidade e verdade. E isso é o mínimo que se espera de qualquer gestão pública.
