Bastou uma votação simbólica, um coro seco de “aprovado” no plenário, para que a blindagem do Palácio do Planalto rachasse. Nesta quinta-feira (26), a CPMI do INSS autorizou o que o governo mais temia: a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva. O que move a caneta dos investigadores não é apenas o sobrenome famoso, mas uma cifra que não sai do radar da Polícia Federal: R$ 300 mil.
O valor não é uma estimativa; é uma citação. Em mensagens interceptadas, o empresário Antunes é direto ao mencionar o repasse ao “filho do rapaz”. Para a PF, a alcunha não é um enigma, mas um código transparente para Lulinha. Contudo, o rastro desse dinheiro não termina em depósitos comuns. Ele ganha contornos de primeira classe.
A comissão investiga se o fluxo financeiro que alimentou bilhetes de R$ 25 mil para Lisboa, em novembro de 2024, tem a mesma origem: recursos desviados da Previdência Social. O contraste é amargo: de um lado, a burocracia fria do INSS; do outro, investimentos em empresas de cannabis medicinal e assentos de couro nos céus da Europa.
A reação da defesa foi imediata. Acionaram o STF para tentar trancar os autos que repousam na mesa do ministro André Mendonça. Para os advogados, as graves suspeitas de “sócio oculto” e propina são apenas “fofocas e vilanias”. Para os senadores de oposição, no entanto, o “filho do rapaz” é o fio de um novelo que, uma vez puxado, pode desvendar como a aposentadoria do brasileiro foi parar em mercados de cannabis e poltronas de luxo.
Brasília agora aguarda o próximo lance jurídico, mas a pergunta que ecoa nos corredores da CPMI é política: até onde o “filho do rapaz” levará os investigadores?

