Três dias após a operação militar que deteve Nicolás Maduro, a Venezuela reabre seus portos para um destino específico. O bloqueio que mantinha navios-tanque paralisados na costa do Caribe foi substituído nesta terça-feira (6.jan) por uma ordem de despacho imediato rumo aos Estados Unidos.
O anúncio partiu de Donald Trump, via Truth Social, com detalhes operacionais que definem a nova relação bilateral. As “autoridades interinas” de Caracas concordaram em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto. O produto, classificado pelo presidente americano como de “alta qualidade”, deixa de ser uma remessa potencial para a China — destino anterior das exportações sob o chavismo — para abastecer o mercado norte-americano a preço de mercado.
O ponto central do acordo não é apenas o volume, mas a custódia do dinheiro. Trump estabeleceu um mecanismo de controle direto: a receita gerada pela venda não passará por intermediários tradicionais. “Esse dinheiro será controlado por mim”, escreveu o presidente, justificando a medida como garantia de que os recursos beneficiarão as populações de ambos os países.

Para operacionalizar a transferência, a Casa Branca mobilizou o setor privado antes mesmo da diplomacia. O secretário de Energia, Chris Wright, viaja a Miami nesta quarta-feira (7.jan) com uma diretriz de uma única palavra: “imediatamente”. Ele se reunirá com executivos de petrolíferas para desenhar a logística que trará o óleo estocado em navios venezuelanos para as refinarias do Texas e da Louisiana.
A manobra encerra o embargo decretado em dezembro. O petróleo que serviu de alavanca de pressão econômica agora serve de liquidez para a nova fase política da Venezuela, sob supervisão direta de Washington.
