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Eleição expõe crise de identidade entre eleitor de Parnamirim e gestão municipal.


Do presidente ao deputado estadual, a cidade escolheu a direita. Nenhum candidato da prefeita liderou no município.


Parnamirim vive uma crise de identidade. O problema não está no eleitor, que sabe muito bem o que quer. Está no poder que governa em nome dele. No dia 4 de outubro, a cidade disse com todas as letras que é conservadora. A prefeitura passou a eleição inteira pedindo voto para o lado oposto, ou para lado nenhum.

Os números não deixam margem.

Para presidente, Flávio Bolsonaro teve 59.345 votos em Parnamirim, mais da metade dos votos válidos. Das 167 cidades do Rio Grande do Norte, só duas preferiram o candidato do PL a Lula. Parnamirim foi uma delas. Num estado onde o presidente passou de 59%, nós fomos a exceção. E exceção, aqui, é sinônimo de identidade.

Para governador, o recado se repetiu. Álvaro Dias venceu na cidade com 43.023 votos, 6.086 a mais que Allyson, o candidato da prefeita.

Para o Senado, a dobradinha da direita, Styvenson Valentim e Coronel Hélio, no mesmo palanque de Álvaro Dias, somou 119.060 votos em Parnamirim. Styvenson foi o mais votado da cidade, e Hélio, o segundo. As duas candidatas da prefeita, Samanda de Lula e Zenaide Maia, fizeram juntas 52.211. É mais que o dobro de diferença. Em votos válidos, a chapa da coligação ficou com quase 59%; a da prefeitura, com pouco mais de um quarto.

Não foi acaso nem voto de protesto isolado. Foi padrão. Em cada disputa, o eleitor de Parnamirim olhou para a direita.

Agora olhe para o palanque da prefeitura. A prefeita Nilda Cruz pediu voto para Allyson, do União Brasil. Pediu voto para Zenaide, do PSD. E pediu voto para Samanda, do PT, candidata que carrega o nome de Lula no próprio nome de urna. Que projeto de cidade cabe nessa lista? Nenhum. Ela não traduz uma visão de Parnamirim; traduz uma planilha de conveniências.

Isso tem nome: fisiologismo. É a política que se alinha com quem tem a caneta e o cofre, não com quem tem o voto. Funciona bem nos gabinetes e mal nas urnas, como acabamos de ver.

O eleitor percebeu. O candidato a governador da prefeita perdeu na cidade. Das duas candidatas ao Senado, nenhuma chegou perto dos dois primeiros. O deputado estadual apoiado pela gestão, Kleber Rodrigues, fez 5.182 votos no município.

Compare com o vereador Gabriel César, do PL. Sem a máquina da prefeitura e sem secretarias à disposição, ele foi o deputado estadual mais votado de Parnamirim, com 14.467 votos. É quase o triplo do candidato da gestão. E não liderou sozinho. Seu parceiro de dobradinha, o Sargento Gonçalves, foi o deputado federal mais votado da cidade, com 17.658 votos. Nas duas disputas em que o eleitor escolhe nome por nome, entre dezenas de candidatos, Parnamirim pôs a mesma dupla no topo.

E Gabriel não fez campanha numa planilha. Fez numa linha: Flávio Bolsonaro para presidente, Álvaro Dias para governador, Styvenson Valentim e Coronel Hélio para o Senado, Sargento Gonçalves para a Câmara. Foi uma chapa coerente, do primeiro ao último nome, e a cidade respondeu a ela. Flávio, Álvaro e Styvenson lideraram; Hélio ficou logo atrás; Gabriel e Gonçalves foram os primeiros em suas disputas. Nenhum candidato da prefeita ficou em primeiro em Parnamirim.

Haverá quem diga que eleição para prefeito é outra conversa, decidida por asfalto, posto de saúde e coleta de lixo. Em parte, é verdade. Ninguém vence uma prefeitura só com ideologia. Mas identidade não muda a cada dois anos. O mesmo eleitor que escolheu Flávio, Álvaro, Styvenson e Hélio em 2026 vai escolher um prefeito em 2028. Ele vai procurar alguém que pense como ele e governe com a eficiência que a cidade cobra há tempos.

Parnamirim não precisa de mais um gestor que muda de lado conforme o vento de Natal ou de Brasília. Precisa de um prefeito que diga, sem constrangimento, em que acredita: ordem, família, responsabilidade com o dinheiro público, respeito a quem trabalha. Precisa que a prefeitura volte a se parecer com a cidade.

Esta eleição revelou mais que um eleitorado. Revelou um nome. Gabriel César não chegou à Assembleia: terminou como quarto suplente, porque o voto do restante do estado pesou mais. Mas, em casa e sem máquina, foi o deputado estadual mais votado da cidade e levou junto o parceiro de chapa. Para a Assembleia, o voto de Parnamirim não bastou. Para a prefeitura, é o único que conta. Gabriel sai destas urnas como a expressão mais clara dessa Parnamirim conservadora. A próxima disputa ainda está longe, mas o recado já foi dado.

Parnamirim já disse quem é. Falta um prefeito que a reconheça

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